Abduzida: um relatório extraoficial.

Ouvir esse disco me teletransporta automaticamente para o apartamento de Leo, a princípio o da Rua Frei Caneca e depois o da Dona Antônia de Queirós, onde tudo foi gravado em um PC antigo na movimentada sala de estar, entre cervejas, vodcas e visitas de amigos.

 

Todas as músicas foram registradas ao vivo, em um único take e canal, com aquele microfone fininho de PC apoiado no chão. Era o meu primeiro ano em São Paulo e o disco é um misto de primeiras impressões dessa cidade e também da Amazônia – para onde eu tinha ido de férias recentemente.

 

Seres bizarros armados
Com o guia da folha
Pegaram meu lugar na fila
Só me resta agora um mate
Mate
Mate
(trecho de Tarsila me avisou)

 

Muitos amigos queridos participaram, tanto das composições quanto dos improvisos nas gravações e arranjos. Abaixo vai uma ficha não-técnica de cada canção, acompanhada de lembranças afetivas:

 

Introduzindo

Composição de Leo Monstro, onde acrescentamos um texto meu no final, lido por um cientista bêbado que explica de onde vieram as gravações do disco e o motivo delas terem uma estranheza sonora. 

 

Pôs dos sóis

Uma das muitas improvisações entre mim e o Monstro.

 

Ida ou Hilda

Essa eu compus junto com uma querida amiga, Lu Básica, durante nosso vôo para a Amazônia.

 

Birigui

Essa foi composta já na Amazônia, também junto com Lu Básica.

 

Valsinha n˚ 13

Composta por mim.

 

Dancinha

Mais uma jam entre mim e Leo Monstro.

 

Todo mundo cheira

Essa foi composta junto com Leo Monstro, André Édipo (Firuba) e Juliangela, numa dessas farras com cerveja e violão no chão.  Todos eles participaram da gravação.

 

Balada do Paulista

Composta em parceria com minha primeira grande amiga paulistana, Juliana Calderon, que me ajudou a traduzir as interjeições e gírias da cidade. A composição surgiu com a gente no banco de trás do carro, viajando para o litoral norte, eu tocando o violão e ela cantando, enquanto um filhote de pibull ameaçava morder os pés da gente.

 

A clausura da rima

Essa foi composta junto com Leo Monstro e André Édipo (Firuba), em homenagem à nossa amiga Juliangela, que tinha mania de querer rimar tudo, quando a gente tentava compor outras músicas. Juliangela também é a autora da capa.

 

Tarsila me avisou

Essa eu compus junto com o Monstro, inspirada nos meus primeiros passeios culturais em São Paulo. Um quadro de Tarsila do Amaral e uma exposição de Iberê Camargo, ambos na Pinacoteca, foram marcantes para mim, com avisos subliminares que interpretei como sinais de que eu não voltaria daquelas férias em São Paulo. E realmente não voltei.

 

João Gilberto e Fabiana

Resultado de uma jam entre mim, André Édipo (Firuba), Leo Monstro e Juliangela.

 

Tangerine girl

Composição minha, inspirada em um conto de Rachel de Queiroz de mesmo nome. Ju Calderon participa da gravação tocando chocalho em caixa de sapato.

 

Plan 13 from outer space

Resultado de uma jam entre mim e o Monstro.

 

Triste retorno

Composta em parceria com meu querido Monstro.

 

Bubarara

Essa é uma faixa escondida no disco, sobre esse animal mítico inventado por nós. A autoria sobre a voz da Bubarara será mantida em sigilo, para preservação da espécie.

Bubarara.

Bubarara.